sábado, 26 de fevereiro de 2011

Surrealist Lust

A insana luxúria em penas negras converte o ardor de seu toque. Nada resta, senão corpos, da perdição objetos, amontoados pelos corredores do palácio de Anúbis. Carnes em busca de revelação. Salvação. Libertar-se da sede animal que possui e domina suas almas. Mas são rubros os lábios de veneno corrente, famintos por agonizantes vítimas de sua ambição. Suaves as mãos e braços que enforcam com calor de serpente as indefesas presas da Fortuna. Afiadas as unhas que arrancam carne e sangue de carcaças perdidas. Irresistível e humano o aroma que exala das pontas dos dedos. Nada faz cessar a sede, ela sempre continua; embebida no último néctar, gera, empeçonhada, vida. Vida morta, vida desperdiçada. De traços desfigurados. Figura deformada. Morte.

(2009)

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