
Vermelhos errantes
___suicidam o poeta
Ah! A sinestesia, que experiência concreta!
Os gritos surdos em sinfonia
___queimam a árida e lenta agonia
___dos suspiros latejantes que ele interpreta.
E os veleiros oscilantes sussurram a dor do profeta
Que pisa cortante sobre mares de lágrimas,
___ Ácidas e verdejantes,
___ singelas como diamantes.
Mas a dúvida segue e se alastra e me infeta
___Será doce a letargia?
___ O que torna, afinal, a vida completa?
me será fatal a hipocondria?
___ Essa elegia aos amantes?
___ O naufrágio do amor e dos [seus] tripulantes?
Ou então o ar que a seringa injeta,
me será o ardil dos últimos instantes?
Tanto faz. A vida está de morte repleta.
(2010).




