
A luz da vida
Queima a alma
Mata o calor
Esquenta e salva
Esquenta
Fere a dor
e os vícios alimenta.
(2010)
O amargor impregnado na minha boca



Por que chora, se é fera?

No tear das viúvas

Are you gonna give my flamingo back? Feed him with human meat
Or he might get angry
and switch
Please, he is a stone in my heart
and now it's gone
You left me apart
Greenly alone
But now, just a clue
It's not an animal u've got
It's my soul and some pot.
(2009)
Fascinantes as máscaras que escondiam as cartas da queda e da redenção. Morta a fênix, a desilusão desistiu de desistir; a força da mordida era de adeus. O breu era um convite ao abismo, o lobo voraz pelo ruir das almas circenses. Teria o minotauro se perdido no próprio labirinto? Teriam as cores se negado a florescer? Foi o tempo pela ambição vendado e profetizada estava, assim, a derrubada da era de sangue e perdição. (2009)

Platinados fios encobriam sua face pálida e enrubescida. Refletidos mar e céu em seu terno olhar. A sua cruz é um brinquedo caro. Suas mãos colhem as dores alheias. Seus pecados disfarçam sua brandura juvenil. Orgulho e medo. E brilho esse são coisas e traços que não conseguimos entender. Olhos fadas tão belas e inebriadas. Olhos espelhos que vivenciam o seu maior legado. Cravados marfins em seu sorriso, gesticula o apego e a paz. Atadas mãos, pernas, distorcidas, entroncadas, belas, macias. Perdidas. Encontradas. Amor personificado.
(2009)
Seu toque bruto me arrancou de um sonho doce, sua pele chocava-se contra a minha, transportando-me para devaneios ainda mais distantes. Entregar-lhe-ia não só meu corpo maculado, mas também minha alma pecaminosa. As pernas enroscavam-se graciosamente. Um ar denso e profano tomou conta do quarto de hotel, era aquela respiração ofegante que ritmava nossos movimentos, anestesiando minha moral.(2009)
As lágrimas se arrastavam em sua pele pálida. Nada lhe devolveria o pouco de esperança que restava em sua alma atormentada. Incapaz de expressar qualquer resquício de vida, dela desistiu. A lâmina da gilete estava especialmente brilhante naquele dia. Parecia que a convidava para a paz que tanto buscava. Talvez desistisse de procurar o que estava sempre faltando em suas primaveras. A sensação de que sua vida nunca estaria completa. E, realmente, não estava. As doses de uísque, as cigarrilhas, os remédios para dormir, nada. Nada podia preencher a pureza de um amor verdadeiro. Aquele que só habita os sonhos dos mais loucos. Esse que desatina e aquieta. Gelado como uma brasa. Avassalador como uma manhã amena de verão. Tudo aquilo que ela jamais iria alcançar. Logo o bordô do sangue coloriu os azulejos brancos do banheiro.
Um olhar desafiador pousou sobre minha pele. Não deixei que me subjugasse e, em meio à fumaça daquele bar, caminhei em sua direção. Faiscantes e verdes, me convidavam para um mundo novo. Maldito cabaré, fazia com que tudo parecesse mais doce e deslumbrante. Uma cinta-liga me aproximou das curvas de uma bela perna. Minhas mãos, já insanas e perdidas em pecado capital, repousavam sobre a ardilosa senhora e ajudavam-na a livrar-se das incômodas meias de seda. Senti seus dentes em meu pescoço e deslizei meus braços ao lânguido cálice de conhaque. Coloquei meu chapéu sobre seus cabelos platinados e puxei-a para um beijo. Negou, sussurrando que não era desse tipo de moça. Ofereceu-me mais conhaque e, de pronto, aceitei. Ela tomou o último gole de minha taça e encarou-me profundamente. Nada precisava ser dito.
(2009)
A insana luxúria em penas negras converte o ardor de seu toque. Nada resta, senão corpos, da perdição objetos, amontoados pelos corredores do palácio de Anúbis. Carnes em busca de revelação. Salvação. Libertar-se da sede animal que possui e domina suas almas. Mas são rubros os lábios de veneno corrente, famintos por agonizantes vítimas de sua ambição. Suaves as mãos e braços que enforcam com calor de serpente as indefesas presas da Fortuna. Afiadas as unhas que arrancam carne e sangue de carcaças perdidas. Irresistível e humano o aroma que exala das pontas dos dedos. Nada faz cessar a sede, ela sempre continua; embebida no último néctar, gera, empeçonhada, vida. Vida morta, vida desperdiçada. De traços desfigurados. Figura deformada. Morte.