domingo, 27 de fevereiro de 2011

Das desgraças, a novena


O amor inventado
as farsas encena,
Não há tortura maior,
o coração apodrece e gangrena.

O vício regenerado
não seca o pranto dos santos
Que pena!
A queda da fantasia
só aumenta aquela sede obscena.

As asas quebradas, perdidos os encantos
A fé adoece, a ordem desordena
Ressuscita a esfinge, a renda
As injustiças, uma centena.

O sangue ferve, envenena
Dos pecados os terrenos,
A morte dos pequenos
O sonho amargado
O levantar do cajado.

(2010)

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