sábado, 26 de fevereiro de 2011

Cabarett Love


Um olhar desafiador pousou sobre minha pele. Não deixei que me subjugasse e, em meio à fumaça daquele bar, caminhei em sua direção. Faiscantes e verdes, me convidavam para um mundo novo. Maldito cabaré, fazia com que tudo parecesse mais doce e deslumbrante. Uma cinta-liga me aproximou das curvas de uma bela perna. Minhas mãos, já insanas e perdidas em pecado capital, repousavam sobre a ardilosa senhora e ajudavam-na a livrar-se das incômodas meias de seda. Senti seus dentes em meu pescoço e deslizei meus braços ao lânguido cálice de conhaque. Coloquei meu chapéu sobre seus cabelos platinados e puxei-a para um beijo. Negou, sussurrando que não era desse tipo de moça. Ofereceu-me mais conhaque e, de pronto, aceitei. Ela tomou o último gole de minha taça e encarou-me profundamente. Nada precisava ser dito.

(2009)

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