domingo, 27 de março de 2011

Carolina


Sê com o tempo paciente
Ele vem feroz e desatina
Mas de ti não levará o que é permanente
Tua jovialidade de menina

Verás então porque o tempo é tão fremente
Inveja, enraivecido, tua beleza assassina
Que aniquila, das almas, irreverente
A latente e doce toxina

É, contudo, teu andar de bailarina
que transforma a dor de um coração doente
no mais tenro ingrediente
da tua sede leonina.

Anuncias feliz e inconsequente,
Com teus olhos de Capitolina,
A ressaca do mar e a enchente,
Olhar que afoga e ilumina

Encaras o céu no mar e fazes, repentina
Da lua teu pingente
Descerá, hoje, do céu, uma estrela peregrina
Para entregar-te o presente

Carolina,
Que seja eternamente
Suspiro adolescente
Sorriso que fascina.

(2010).

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