quinta-feira, 17 de março de 2011

Isabella,


O tempo te castiga, te flagela
Te envolve na mais frenética tarantela
A maturidade, pois, arde como choro de vela

Mas, mesmo assim, permaneces nas estonteantes primaveras
Guardada na memória dos deuses como doce aquarela
Alcançarás hoje tudo o que um dia quiseras,
Alegria dissonante, felicidade nada singela
Verás, então a vida mais bela
cativa da dor, sairás de tua cela.

Foste tu feita com cautela,
Tornando-se tão primorosa criatura.
Escultura letal com alma de donzela,
Envolta pela mais rude ternura.

Não faças do tempo uma querela
Continuarás imaculada, como que obra de capela.

(2010).

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