
Escobar, meu caro amigo,
Há em nossa afetividade
Um iminente perigo
Que, de tão intenso,
Desobedece à nossa vontade
Meu sangue, pois, congela
Pelos pecados do excesso
Calo os sinos da capela
Não tenho alma, confesso
Mas venha a mim, eterno comborço
Ama-me sincero, sem esforço
Pousa em mim teu olhar demorado, inconstante
Deita sobre minha pele lânguida teu corpo fumegante
Oh flor do céu! Oh flor cândida e pura
Para este mal não há nenhuma cura
Estou fadado aos teus braços, à morte escura
Teu toque é em mim ferida de navalha
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!
(2010)
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