
Demente megera, corre imprudente;
gira, delira e espera.
O sangue ferve, ela não vê saída
e cede ao desejo latente
de acabar com a própria vida.
As últimas palavras: a grande lira,
Embora a entoe, não mais respira.
Canta mentiras sinceras,
agoniza e mostra os dentes
Tem no corpo chagas e crateras:
tanto a carne quanto a alma estão doentes.
Percebe, mas disfarça, arrependida,
e finge um sorriso de serpente.
Com a boca cravejada de safiras,
a primavera ela espera paciente
E então as lapida,
realizando um sonho indecente:
o de ser permanente a dor de sua mordida
e ter na morte a maior cliente.
(2010).
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