segunda-feira, 23 de maio de 2011

Indiferença homicida


Demente megera, corre imprudente;
gira, delira e espera.
O sangue ferve, ela não vê saída
e cede ao desejo latente
de acabar com a própria vida.

As últimas palavras: a grande lira,
Embora a entoe, não mais respira.

Canta mentiras sinceras,
agoniza e mostra os dentes
Tem no corpo chagas e crateras:
tanto a carne quanto a alma estão doentes.

Percebe, mas disfarça, arrependida,
e finge um sorriso de serpente.

Com a boca cravejada de safiras,
a primavera ela espera paciente
E então as lapida,
realizando um sonho indecente:
o de ser permanente a dor de sua mordida
e ter na morte a maior cliente.

(2010).

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