
O que há do outro lado do espelho?
Não sei.
Por isso mergulho no vazio no vermelho
Um véu sangrento que me enche de carinho
Um calor afiado que queima como espinho
Uma fuga delirante que foge comigo
Das correntes do tédio e da insensatez do destino
Intermédio dos meus passos, reaviva o que persigo
O remédio contra o tempo e o prazer paulatino
Diversão de libertino que perece sobre a alma
Apodrece a moral, alucina e acalma,
Perfura a carne numa agonia lancinante
Que esconde em si um sorriso de amante.
(2010).
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